Na teoria, evoluções significativas expandem a área. Mas na prática, boa parte dos profissionais de Educação Física ainda busca diariamente a valorização.
Com a ampliação constante dos setores de atuação, desvincular o estereótipo do 'professor preguiçoso que disponibiliza uma bola para os alunos e espera o tempo da aula passar'' - ainda comum na memória de muitos como primeira referência no assunto -, é encarada como palavra de honra pela classe, que comemora hoje mais um dia do profissional.
"Em nenhuma época a importância da atividade física foi tão divulgada como atualmente. Assim, é preciso aproveitar o momento para buscar áreas diferenciadas e oportunidades melhores", afirmou o professor Vlademir Fernandes, presidente do Cref (Conselho Regional de Educação Física), de São Paulo.
A Educação Física está reconhecida oficialmente como profissão do setor da Saúde desde 1998. O Cref/SP foi criado no ano seguinte. O Grande ABC sempre foi parte importante em toda história. A Fefisa (Faculdades Integradas Santo André) é referência direta na formação de profissionais. "Os personal trainers, a ginástica laboral exigida em empresas e as Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) são filões de mercado bastante representativos para quem atua na área. Isso rende bons resultados e a necessidade frequente de especializações. Nossa imagem tem de ser sempre a mesma da nossa profissão", afirmou a professora Margareth Anderáos, coordenadora da Fefisa e integrante dos conselhos regional e federal do Cref.
O boom de academias e modalidades diversas também é levado em conta como um dos fatores principais para os profissionais da área. Nesse caso, o crescimento desordenado e a rapidez em disponibilizar novidades para os praticantes requer cuidados cada vez mais apurados de fiscalização e credenciamento. Os dados do Cref em São Paulo apontam cerca de 5.000 visitas por ano. "Ainda há a necessidade de ampliação do quadro de agentes e de carros para atender a demanda do Estado. É um trabalho a longo prazo", comentou Margareth.
Segundo Fernandes, o caso da fama dos maus profissionais nas escolas deve ser encarado apenas como fatia de um problema generalizado e de responsabilidade da coordenação pedagógica e da direção de cada instituição. "Talvez a diferença seja que o professor (de Educação Física) fica exposto a todos, na quadra, e os demais estão em sala de aula. Mas no geral, isso nos leva a refletir se o problema está realmente com o profissional, ou é parte do panorama geral de nossas escolas, sempre tão criticadas", avaliou.
Apostar na versatilidade é tendência
Com o piso básico do profissional da Educação Física estimado na faixa de R$ 800, a saída básica encontrada por muitos ainda é atuar em diversas frentes.
Há mais de duas décadas como profissional do esporte e formado desde 2005, o professor Alexandre Bento dá aulas diariamente em duas academias de Santo André. Kung Fu, Taichi, ginástica, musculação e aeroboxe são as modalidades que domina. "Isso é praticamente senso comum e deve ser encarado como fator de consciência profissional desde a época da faculdade. A necessidade de ser versátil te obriga a crescer. Nossa área sempre foi muito desunida, mas felizmente isso tem melhorado de uns tempos para cá", afirmou.
Bento concorda que a fiscalização do Cref (Conselho Regional de Educação Física) tem aumentado paulatinamente na região. Mas ainda almeja melhorias básicas para a classe. "Nem todos os estagiários sãoremunerados, e isso é bem negativo para o contexto. Começar do jeito errado e cheio de dificuldades faz muita gente desistir. Seria preciso um cuidado maior nesse sentido", avaliou o professor.
Clima familiar ainda predomina nas academias medianas
O estouro das academias de médio porte no Grande ABC durante a década de 1980 se solidificou nos anos 1990, e em 2010 ainda caracteriza boa parte das instituições na região.
Há 19 anos na Vila América, em Santo André, a Corpo Saúde passou praticamente por todas as fases. Atualmente, conta com aproximadamente 600 alunos, e mantém a receita básica da longevidade diferenciada das academias de grandes franquias com a manutenção da essência original e a aposta no tratamento mais personalizado aos alunos.
"Não se pode deixar de lado o clima família, que é predominante. É justamente isso que as pessoas procuram após um dia estenuante de trabalho. Todos querem cuidar do corpo e conversar com velhos amigos", afirmou Joelma Cardia, professora e proprietária do local. "A reciclagem profissional também sempre deve ser priorizada. Não podem faltar novidades. A concorrência é cada vez maior. Nestre sentido, temos de pensar grande, sempre", completou.